sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Olga Benario e Luis Carlos prestes ideologia e romance



                                                                    Filme : Olga


Revolucionária alemã nascida em Munique, famosa no Brasil por sua atuação revolucionária comunista ao lado do marido brasileiro Luís Carlos Prestes, líder do movimento que entraria para a história brasileira como Intentona Comunista. Oriunda de uma família de judeus de classe média, desde cedo participou de atividades comunistas e, graduada pelo KOMINTERN, a Terceira Internacional, tornou-se membro do Partido Comunista, liderou o processo de sua remoção de seu namorado Otto Braun da prisão de Moabit (1926), para o seu exílio na União Soviética. Aclamada e eleita pela juventude comunista para o cargo mais alto do Comitê Central da Juventude Comunista Internacional (1931), rompeu o romance com Braun. Participava de um curso de pára-quedismo e pilotagem de aviões em Moscou quando ouviu sobre o caso da malfadada Coluna Prestes e ficou impressionada com o feito. Prestes estava refugiado em Moscou, na condição de engenheiro e, , através dele, ingressou no Partido Comunista Brasileiro para liderar uma revolução que tirasse o Brasil da ditadura do Estado Novo (1934). Ela e Prestes passam por Leningrado, Helsinque, Estocolmo, Amsterdã, Bruxelas e, finalmente Paris, onde recebem documentos novos como Antônio Vilar e Maria Bergner Vilar, e assim chegaram à Nova York (1936). Rumo ao Brasil passaram por Miami, Santiago e Buenos Aires e desembarcaram em Florianópolis, passaram por Curitiba e chegaram à São Paulo e depois seguiram para morar no Rio de Janeiro. A notícia se que Prestes estaria retornando ao país, levou Getúlio Vargas a colocar a polícia política de Filinto Muller, chefe de polícia da cidade do Rio de Janeiro, em alerta. Assim que chegaram ao Rio de Janeiro, encontraram-se pela primeira vez com seus companheiros e distribuíram as tarefas iniciais. Morando no Rio de Janeiro, através das inúmeras reuniões, conviveu com todos os integrantes da liderança do movimento no meio do qual nasceram grandes amizades. Seus ideais eram baseados na luta contra o fascismo, contra o imperialismo, o subdesenvolvimento e o latifúndio, e tinha como líder Luís Carlos Prestes que, na presidência ANL, estimulava a agitação aliancista. O movimento de libertação nacional ganhava força de uma verdadeira revolução. Os aliancistas iam para as ruas, faziam passeatas deixando claro seu propósito de atingir o governo. O avanço da ANL assustou o governo Vargas que decretou a ilegalidade do PCB e da Aliança como partido. Com o fracasso da revolução e a sua conseqüente prisão, grávida de sete meses, foi deportada para a Alemanha de Hitler. Na Alemanha teve sua primeira e única filha, Anita Leocádia, em um campo de concentração da Alemanha nazista, onde viveria os últimos dias de sua vida. No começo de fevereiro (1942), um pouco antes de completar 34 anos, as mulheres foram reunidas no pátio central de Revensbruck para ouvir nos auto-falantes do campo a relação das 200 prisioneiras que na manhã seguinte seriam transferidas. Enquanto o auto-falante dava o último aviso, as prisioneiras relacionadas teriam 30 minutos para recolher seus pertences e se apresentar à oficial, meia hora suficiente para que ela escrevesse uma carta à filha e ao marido, antes de seguir para ser executada por um gás letal.

A guerra eo cinema - As guerras mundiais






As guerras e o cinema criaram, desde o seu primeiro encontro, uma
estreita relação, transformando o tema bélico em um espetáculo por excelência. Coube aos ingleses, logo no início da I Guerra Mundial, instrumentalizar o cinema como arma de guerra, mais especificamente como propaganda
de guerra. Logo em seguida, os alemães, instigados pelo General Luddendorf,
procuraram criar as condições de combater a mesma guerra, fundando a UFA/
Universum Film Aktiongesellchaft, a empresa cinematográfica que se tornaria
célebre durante a República de Weimar (1919-1933) e o III Reich, produzindo uma grande quantidade de filmes de qualidade e, mais tarde, de propaganda fascista. Assim, a guerra freqüentou o cinema intensamente, desde suas
origens, ora sob a forma de cinejornal – poucas vezes diferenciado da propaganda política de cunho nacionalista – ora como ficção, celebrando o heroísmo
nacional e a tragédia grandiosa da guerra. Algumas vezes, o cinema assumiu,
de modo claro, um papel fortemente pacifista, de combate e denúncia contra a guerra, pensada enquanto irrazão. Em vários momentos da história, a
estreita relação entre guerra e cinema fez com que o último se constituísse
em alvo de normatização do Estado, como no III Reich, na União Soviética
de Stalin ou conforme a prática da autocensura em Hollywood
2
.
Coube, contudo, ao cinema italiano inaugurar o gênero filme histórico, de onde o filme de guerra emergiria com suas maiores características. Com
grandes cenários – muitas vezes em ambientações naturais – rememorando
o passado glorioso e guerreiro da antiga Roma – desde suas origens o filme
de guerra mostrou-se, conforme afirma Pierre Sorlin, um subtexto da cultura
e da política contemporâneas. Mesmo quando se ocupava com um glorioso
passado – Roma antiga ou as guerras napoleônicas – o cinema visava, através
dos seus roteiros, justificar ou mobilizar a opinião pública em favor de uma
determinada política do Estado-Nação. Assim, dois filmes históricos italianos, praticamente fundadores do gênero histórico no início do século, são
feitos enquanto ferramenta de legitimação da expansão imperialista italiana,
desejosa de recriar no Mediterrâneo um Mare Nostrum do Império Romano,
marcando a arrancada do gênero: Quo Vadis, dirigido por Enrico Guazzoni,
em 1912 – no mesmo ano em que a Itália, ao vencer o declinante Império
Revisioning History. Film and the Construction of New Past, Princeton, University Press, 1995, e
Pierre Sorlin,  Sociologie du Cinéma, Paris, Aubier-Montaigne, 1977.
2
 Jerzy Toeplitz  Geschichte des Films, Berlin, Henschelverlag, 1982.

Guerra espanhola e artes



picmenor


Nascido aos 25 de outubro de 1881, em Málaga, sul da Espanha, Pablo Picasso é por muitos considerado o mais sensacional artista do século XX.
Na década de 1930, a guerra civil  estoura na Espanha e a população é gradativamente dizimada. O terror instalado pelo General Francisco Franco, comandante das forças nacionalistas, assusta a população. Franco alia-se a Hitler e a Mussolini e Alemanha e Itália passam a abastecer as forças Franquistas com aviões, mantimentos e armas.
Em abril de 1937, o comando aéreo alemão resolve fazer um "bombardeio teste" para avaliar os efeitos de um ataque em massa. Guernica, cidade sagrada para os bascos, foi a escolhida. O bombardeio, que durou cerca de quinze minutos, mostra-se extremamente eficaz.
A Guerra Civil Espanhola transcorre. Picasso não consegue manter-se imune às misérias de seu povo e o ataque, desnecessário a Guernica, gera revoltas.  Apesar da omissão do mundo para com as atrocidades que vinham sendo cometidas em seu país, Picasso, de uma forma muito sutil, leva a guerra para o centro das atenções. A oportunidade não poderia ser melhor: havia sido convidado para participar de uma exposição mundial por onde certamente passariam artistas e intelectuais de todas as partes do mundo.
O mundo veria essa guerra através de "Guernica", que mostra o sofrimento e o desespero dos homens. Na tela, uma mulher com uma criança morta no colo chora desesperadamente e todos olham para o céu, horrorizados com o terror que vinha de cima e os tornava impotentes. A guerra dura até 1939 mas o franquismo se estende até os anos 70.

A crise da bolsa em 1929


Um retrato da Crise de 1929: investidor falido vendendo seu carro por apenas 100 dólares.
Um retrato da Crise de 1929: investidor falido vendendo seu carro por apenas 100 dólares.
O fim da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918) colocou os Estados Unidos em um novo panorama econômico. De maior devedora, a economia norte-americana se transformou na principal credora da economia mundial. Além disso, expandiu o seu parque industrial ao ponto de reter em suas mãos praticamente um terço de todos os produtos industrializados que percorriam o mundo. Mediante tanta prosperidade, vemos que imigrantes de todo o mundo buscavam viver o tal “american way of life”.
O momento de expansão e euforia acabou se refletindo no comportamento do mercado de ações daquele país. Cidadãos das mais variadas classes sociais sonhavam em ascender socialmente investindo grande parte de suas economias no setor de ações. Esperando que a economia sustentasse patamares de crescimento constantes, vemos que a população norte-americana parecia realmente viver um sonho, a ilusão de que seu país não mais reconhecia limites.

Acreditando piamente nos princípios do liberalismo clássico, os governantes norte-americanos não enxergavam a necessidade de interferir nessa incessante onda especulativa. Com o passar do tempo, a capacidade de consumo dos norte-americanos passou a ser superada pela enorme quantidade de mercadorias produzidas pelas indústrias. No entanto, a despeito dessa tendência, as bolsas de valores insuflavam a especulação financeira sobre empresas que só ampliavam suas vendas e mercados.

Contudo, já em 1928, o estouro dessa bolha financeira começou a se manifestar quando o preço das mercadorias acumuladas começou a despencar e as empresas se viram forçadas a reduzir seu quadro de funcionários. Já no ano seguinte, muitos investidores se desesperavam tentado realizar a venda de suas ações para outros possíveis investidores. No dia 24 de outubro daquele ano, uma avalanche de ofertas e a ausência de compradores sentenciaram a quebra da Bolsa de Nova York.

Do dia para a noite, investidores milionários perderam tudo o que tinham em ações sem o menor poder de compra. A situação caótica levou muitos deles a subir no alto dos prédios e dar fim às suas próprias vidas. Milhares de trabalhadores perderam os seus empregos e nações que dependiam do investimento norte-americano viram a sua própria ruína. Na projeção de um incrível efeito dominó, diversas economias do mundo se viram gravemente prejudicadas.

Visando uma solução para o problema, o eleitorado norte-americano promoveu a vitória do democrata Franklin Delano Roosevelt para a presidência. Sob a sua tutela, a economia norte-americana revisou os princípios liberais e empreendeu a intervenção do Estado na economia com a criação do New Deal. No outro lado do Atlântico, vimos a ascensão de regimes totalitários que negavam o capitalismo através da instalação de governos fortemente centralizados.

Nazismo e racismo




A essência do fascismo e do nazismo está no totalitarismo, especificamente na noção de controlo totalitário, ou seja, na ideia de que o Estado, e em última instância o chefe-de-Estado (no caso da Alemanha o Führer), deveria controlar tudo e todos. Para isso a homogeneização da sociedade é fundamental. As formas de controlo social em regimes totalitários geralmente envolvem o uso e exacerbação do medo a um grau extremo. Todos passam a vigiar a todos e todos se sentem vigiados e intimidados. Cada indivíduo passa a ser "os olhos e ouvidos" do Führer no processo de construção de uma sociedade totalitária. Neste processo de homogeneização totalitária, os inúmeros festivais, actividades cívicas, com mobilização das massas nas ruas foram determinantes
Para controlar tudo e todos, o nazismo instigava e exacerbava ao extremo o nacionalista, geralmente associado às rivalidades com outros países supostamente ameaçadores.
A ideia de um inimigo externo extremamente poderoso é funcional unir a sociedade contra o "inimigo comum". O “medode” (um inimigo externo) é funcional para aglutinar socialmente povos que até pouco tempo não se identificavam enquanto uma só nação, como foram os casos de países unificados apenas no século XIX (Alemanha e Itália). Como Freud havia demonstrado, a necessidade da criação artificial da identidade em grupos sociais pode levar à homogeneização forçada destes, e a existência de membros diferentes no grupo é desestabilizadora, o que leva o grupo a tentar eliminá-lo. Tão relevante é esta explicação para entender o fenômeno do fascismo e do nazismo, que as obras de Freud estiveram entre as primeiras a serem queimadas nas famosas queimas de livros organizadas pelo Partido Nazista em 1933 e 1934.
Entretanto, era necessário mais do que apenas o medo de um inimigo externo para conseguir atingir o ultra-nacionalismo e o totalitarismo. Para isso era funcional criar "inimigos" internos, sorrateiros, subterrâneos, conspiratórios. Este papel de inimigo sorrateiro é destinado ao comunismo e aos comunistas como um todo na ideologia fascismo. O Nazismo acrescenta ao rol de "inimigos", em que já estava o comunismo, minorias étnico-religiosas como "inimigas": os judeus em um primeiro momento, depois ciganos e povos eslavos (já durante a II Guerra Mundial). A partir disto é que se torna central o segundo pilar do nazismo, a ideologia da superioridade racial ariana.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

a revolução russa e o trabalho









No começo do século XX, a Rússia era um país de economia atrasada e dependente da agricultura, pois 80% de sua economia estava concentrada no campo (produção de gêneros agrícolas).

Rússia Czarista

Os trabalhadores rurais viviam em extrema miséria e pobreza, pagando altos impostos para manter a base do sistema czarista de Nicolau II. O czar governava a Rússia de forma absolutista, ou seja, concentrava poderes em suas mãos não abrindo espaço para a democracia. Mesmo os trabalhadores urbanos, que desfrutavam os poucos empregos da fraca indústria russa, viviam descontentes com os governo do czar.

No ano de 1905, Nicolau II mostra a cara violenta e repressiva de seu governo. No conhecido Domingo Sangrento, manda seu exército fuzilar milhares de manifestantes. Marinheiros do encouraçado Potenkim também foram reprimidos pelo czar.

Começava então a formação dos sovietes (organização de trabalhadores russos) sob a liderança de Lênin. Os bolcheviques começavam a preparar a revolução socialista na Rússia e a queda da monarquia. A Rússia na Primeira Guerra Mundial

Faltava alimentos na Rússia czarista, empregos para os trabalhadores, salários dignos e democracia. Mesmo assim, Nicolau II jogou a Rússia numa guerra mundial. Os gastos com a guerra e os prejuízos fizeram aumentar ainda mais a insatisfação popular com o czar.

Greves, manifestações e a queda da monarquia

As greves de trabalhadores urbanos e rurais espalham-se pelo território russo. Ocorriam muitas vezes motins dentro do próprio exército russo. As manifestações populares pediam democracia, mais empregos, melhores salários e o fim da monarquia czarista. Em 1917, o governo de Nicolau II foi retirado do poder e assumiria Kerenski (menchevique) como governo provisório.

A Revolução Russa de outubro de 1917

Com Kerenski no poder pouca coisa havia mudado na Rússia. Os bolcheviques, liderados por Lênin, organizaram uma nova revolução que ocorreu em outubro de 1917. Prometendo paz, terra, pão, liberdade e trabalho, Lênin assumiu o governo da Rússia e implantou o socialismo. As terras foram redistribuídas para os trabalhadores do campo, os bancos foram nacionalizados e as fábricas passaram para as mãos dos trabalhadores.

Lênin também retirou seu país da Primeira Guerra Mundial no ano de 1918. Foi instalado o partido único: o PC (Partido Comunista).

A formação da URSS

Após a revolução, foi implantada a URSS ( União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Seguiu-se um período de grande crescimento econômico, principalmente após a NEP ( Nova Política Econômica ). A URSS tornou-se uma grande potência econômica e militar. Mais tarde rivalizaria com os Estados Unidos na chamada Guerra Fria. Porém, após a revolução a situação da população geral e dos trabalhadores pouco mudou no que diz respeito à democracia. O Partido Comunista reprimia qualquer manifestação considerada contrária aos princípios socialistas. A falta de democracia imperava na URSS.

Os líderes da União Soviética durante o regime socialista:

- Vladimir Lenin (8 de novembro de 1917 a 21 de janeiro de 1924) 
- Josef Stalin (3 de abril de 1922 a 5 de março de 1953)
- Nikita Khrushchov (7 de setembro de 1953 a 14 de outubro de 1964)
- Leonid Brejnev (14 de outubro de 1964 a 10 de novembro de 1982)
- Iúri Andopov (12 de novembro de 1982 a 9 de fevereiro de 1984)
- Konstantin Chernenko (13 de fevereiro de 1984 a 10 de março de 1985)
- Mikhail Gorbachev (11 de março de 1985 a 24 de agosto de 1991).

1° guerra mundial bombas inteligentes


 



Se por um lado a tecnologia abre novas perspectivas para matar com mais precisão, por outro, não consegue superar os desafios delidar com insurreições populares nem reduzir a morte de civis.
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O século XX conheceu cerca de 140 conflitos: dois deles foram “mundiais” e 15 resultaram em mais de um milhão de mortos. Contam-se 25 antes de 1939 e 115 a partir de 1945. Até o fim da Guerra Fria, o ritmo se acelerava de acordo com os “progressos” na invenção de novos armamentos, cada vez mais caros e sofisticados. Depois de 1991 e da queda da União Soviética, os conflitos entre Estados passaram a dar lugar a guerras civis.
Em torno da Primeira Guerra Mundial forjaram-se características que se desenvolveram nas décadas seguintes. A produção de armamento adquiriu seu caráter industrial de massa: por exemplo, entre 1914 e 1918, a França fabricou 51.700 aviões, envolvendo 1, 8 milhão de pessoas na produção de guerra.

Esse momento marcou a entrada na terceira dimensão, ao mesmo tempo no ar, com os aviões, e na água, com os submarinos. A mecanização, por meio dos tanques, revolucionou a cavalaria. As comunicações, essenciais para conduzir os tiros de artilharia, não se faziam mais por estafetas e cornetas, mas por telefone – 30 mil deles estavam em uso no fim de 1918.

 Ele também definiu a largada da corrida pelo gigantismo (calibres, tonelagens, ritmos de tiro das metralhadoras) e pelas “novas” armas (químicas). Todas essas características foram levadas ao apogeu no conflito seguinte: a Segunda Guerra Mundial.

A derrota russa para o Japão em 1905 já havia marcado um primeiro questionamento das potências tradicionais e a primeira derrota do “homem branco”. Nas guerras de resistência colonial entre 1918 e 1939, os revoltosos, por vezes, conseguiam garantir batalhas, mas não a vitória total (Guerra do Rif1). As guerras civis distinguiam-se por sua rudeza (na Rússia, na China), enquanto a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) prefigurava o grande enfrentamento de 1939-1945.

 As armas químicas foram usadas maciçamente durante a Primeira Guerra Mundial e, desde então, já faziam vítimas civis. Seu uso foi estendido durante as guerras coloniais – pelos britânicos no Iraque, e pela Itália na Líbia. Guernica2 inaugurou os bombardeios aéreos em grande escala sobre o Velho Continente, prática que foi generalizada ao longo do segundo conflito mundial, levando ao limite o desenvolvimento das armas clássicas.

 Os armamentos inventados a partir de então aceleraram a mudança: radar, foguete antitanque, pistola metralhadora, metralhadora pesada, lança-chamas, bomba incendiária, bomba superperfurante de 10 toneladas, primeiros aparelhos teleguiados, mísseis (V1 e V2), sonar, dispositivo infravermelho, sistemas de detecção eletromagnética etc. A dimensão industrial continuava mudando de escala. A Alemanha, o Reino Unido e a URSS produziram cerca de 100 mil aviões cada. Só os Estados Unidos fabricaram 320 mil. Das linhas de montagem estadunidenses saiam também dois milhões de caminhões, a mesma quantidade de jipes e 220 mil blindados. Os bombardeios em massa sobre as cidades assumiam uma amplitude inédita – lembremo-nos de Londres e Dresden. E, por fim, as duas bombas atômicas lançadas sobre o Japão colocaram o mundo na era nuclear e sob a marca do terror.
 Após a Segunda Guerra Mundial, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Pacto de Varsóvia se viram sob ameaça nuclear. Washington e Moscou acumulavam 30 mil ogivas estratégicas e 20 mil ogivas táticas, suficientes para destruir diversas vezes o planeta. Isso congelou os conflitos na zona europeia, que separava os dois rivais, mas o deslocou para a periferia, regiões que seriam chamadas de Terceiro Mundo. O enfrentamento ideológico atravessava as guerras de libertação nacional, sobretudo na Indochina.
 Esses conflitos constituíram campos de testes para as novas armas e suas doutrinas de uso: na Argélia, a França utilizou helicópteros e os princípios da guerra “contrarrevolucionária”, tentando responder aos estrategistas chineses ou vietnamitas da guerra “revolucionária”. No Vietnã, a força aérea estadunidense utilizou pela primeira vez as bombas “inteligentes” (guiadas com precisão) e organizou o uso em grande escala de armas químicas (agente laranja3). A guerra de junho de 1967 no Oriente Médio inaugurou os primeiros mísseis antinavio.
 A queda da União Soviética deu início a um período de desordem. A partir desse momento, os conflitos escaparam a qualquer controle e, cada vez mais, as guerras civis substituíram as disputas entre Estados. Paralelamente, com a Guerra do Golfo (1991) e as “guerras humanitárias”, foram aperfeiçoados os mísseis antimísseis, os mísseis de cruzeiro e generalizaram-se as munições guiadas com precisão, os famosos “ataques cirúrgicos” – que nem por isso poupavam civis. Seja contra a Sérvia (1999), o Afeganistão (2001) ou o Iraque (2003), a desproporção das forças era tal que o resultado foi evidente, mesmo que os exércitos vitoriosos não fossem necessariamente capazes de garantir o controle dos “vencidos”.

 No Oriente Médio, experimentavam-se continuamente as técnicas de guerra urbana: armas de terror contra populações não combatentes (bombas de fósforo, bombas de dardos, explosivos Dime etc.), o uso de escudos humanos, escavadeiras gigantes, passagem pelas paredes das casas, utilização de drones de vigilância e ataque4, mapeamento social por satélite, controle da informação, assassinatos de alvos específicos etc. Essas técnicas tornaram-se indispensáveis nas guerras conduzidas pelas tropas ocidentais no Afeganistão e no Iraque, já que os materiais ultrassofisticados inventados para enfrentar o Exército Vermelho revelaram-se frequentemente inoperantes. Em compensação, os rebeldes utilizavam técnicas rudimentares, mas eficazes, como os Improvised Explosive Device (IED, dispositivo explosivo improvisado), enterrados ao longo das estradas ou, claro, os atentados suicidas. Para responder a isso, os Estados Unidos se serviam cada vez mais dos drones e do assassinato de alvos “terroristas”, sempre sob o risco de, por engano, matar civis.
O preço das armas explodiu: o custo do bombardeiro B2 ultrapassou o orçamento militar anual de 122 países. Com isso, também aumentou a concentração das despesas militares: os Estados Unidos representam metade de todas as despesas mundiais e somente dez Estados demandam três quartos delas. A vigilância espacial generalizada, as armas de energia dirigida e os veículos não tripulados abrem novas perspectivas para matar mais longe, mais rápido e com custo maior.